Engenho e arte

Fonte: Notícias da Construção

"Trabalhar em BIM é engenho e arte, não uma vontade, um desejo ou um gesto." A afirmação do arquiteto Luiz Augusto Contier, presidente da Contier Arquitetura, que falou sobre sua experiência com a modelagem da informação da construção em palestra no 2° Seminário BIM (Building Information Modeling), que o SindusConSP promoveu em outubro, no Teatro Renassaince, resume bem o espírito que permeou as apresentações do seminário.

Sinduscon 2 Seminario BIM - Sao Paulo Novembro 2011

Cada vez mais comum também na construção civil brasileira, a ferramenta utiliza um sistema de softwares de modelagem tridimensional de projetos, totalmente parametrizado, que reúne on line todas as informações das disciplinas envolvidas na execução de obras, permitindo a visualização imediata dos desdobramentos arquitetônicos, técnicos e financeiros de qualquer alteração introduzida por novos dados ou mudanças no projeto original. Nele, a informação permanece, não se perde. E pode ser visualizada por todos, a qualquer momento.

"Com o BIM, a cadeia da construção civil atinge um novo patamar, uma nova maneira de projetar empreendimentos imobiliários, consequência da complexidade do produto final, do valor dos investimentos, da velocidade de produção e da escassez de profissionais qualificados", afirmou na abertura do evento o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe.

O coordenador da Comissão de Trabalho de Projetos do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade) do SindusCon--SP, Fernando Augusto Correa da Silva, enfatizou a necessidade de união de esforços da cadeia produtiva para disseminar o BIM. "Nossa meta é despertar o processo colaborativo a favor desta ferramenta", afirmou.

Considerado um processo que inova completamente a maneira de projetar e executar obras, o processo dá ao setor a oportunidade de aperfeiçoar a orçamentação e a execução das obras, acredita Jorge Batlouni Neto, coordenador do CTQ. "Como consequência de sua utilização, os engenheiros de obra vão ter a possibilidade de fazer mais engenharia e ajudar a melhorar o produto final", disse.

"O projeto em BIM deve nascer pensando no futuro, com foco na produção", completou o vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, Paulo Sanchez, que destacou a necessidade de conscientizar os projetistas de instalações prediais para a importância da ferramenta.

A contar pelo interesse despertado pela segunda edição do seminário do SindusCon-SP, o caminho para o BIM é mesmo promissor. "Dobramos o número de participantes desde o evento do ano passado", festejou o diretor de Relações Internacionais do sindicato, Salvador Benevides.

Tudo em BIM

A sede da Petrobras para o Pré-Sal em Santos já é considerada um case paradigma das potencialidades do BIM. Segundo Marco Mota, gerente setorial da Petrobras, o cenário atual do mercado, os bons resultados no emprego desta tecnologia em instalações industriais da companhia e o nível de complexidade do projeto foram alguns dos fatores que levaram a Petrobras a exigir em edital a elaboração do projeto em BIM.

Na primeira fase do projeto, será erguida uma torre de 25 mil m² para 2.200 funcionários. Depois, virão mais 2 outros edifícios, totalizando 75 mil m² para 6.600 empregados. O projeto de preservação de um armazém histórico que abrigará o museu do petróleo também está no escopo do trabalho.

"Não tem metade do caminho para a modelagem do projeto: ou você faz ou não. Sair modelando e só depois organizar o caminho é perigoso", comentou Sergio Salles, arquiteto associado da Contier Arquitetura, empresa responsável pelo projeto executivo, coordenação geral e compatibilização do empreendimento. "Até porque o projetista tem que garantir ao cliente que ele terá um projeto compatibilizado e à prova de problemas de projeto", completou o arquiteto, que trabalha como gerente do projeto.

Segundo Mota, a Petrobras também vislumbrou a melhoria na comunicação interdisciplinar e de qualidade do projeto e da obra, além da integração das informações em todo o ciclo de vida do empreendimento e com as atividades de planejamento e gestão e até uma melhor apresentação do projeto. "Queremos processos de engenharia confiáveis e feitos com automação", argumentou Rubens dos Santos Rodrigues, arquiteto da Petrobras.Sinduscon 2 Seminario BIM - Sao Paulo Brasil Novembro 2011

Salles também falou sobre a responsabilidade que é trabalhar em uma equipe que envolve 28 disciplinas. "A realidade BIM é on line. Se você não fez, sua omissão será detectada na hora. Tudo está à mão e o gerente deve ter uma visão holística do projeto. Por isso precisamos ter profissionais sêniores que pensem, tenham juízo de valor e alto conhecimento", argumentou. "Há hoje 12 ou 14 pessoas trabalhando no mesmo objeto simultaneamente. Cerca de 50 pessoas participam da reunião de coordenação de projeto. O trabalho ficou mais complexo", lembrou Luiz Augusto Contier.

No seu escritório, a implementação de um trabalho desta envergadura exigiu alto investimento. "O primeiro Revit Server fora dos EUA é meu", celebrou Contier. O servidor permite trabalhar fora do ambiente do escritório, rompendo as barreiras geográficas.

Para Contier, as empresas começam a perceber que a ferramenta BIM "pode ajudar a transformar um projeto em dinheiro". Foi o que aconteceu, segundo ele, no projeto do Porto Maravilha (RJ). "A modelagem de área de ocupação do porto mostrou que, conforme fazíamos mudanças, novas possibilidades de marketing e vendas apareciam e podiam ser testadas no mercado", contou. "Hoje, não desenho mais. O software é que transforma tudo em desenho", concluiu.

Além disso, disse Robert Owen, da Universidade de Salford (Inglaterra) e coordenador do CIB –grupo internacional que procura melhorar a pesquisa e os programas de pesquisa sobre novas tendências–, "os custos e os riscos do BIM já estão reduzindo ao longo do tempo".

Adolfo Blasco Ribeiro, gerente de TI da Matec Engenharia, revelou outra faceta do BIM: a modelagem com auxílio do Escaneamento 3D de objetos ou Escaneamento laser 3D (laser scanning). A ferramenta que emite feixos de laser seguidos de uma medição em cada ponto é utilizada para capturar rapidamente o formato tridimensional de objetos, edificações e instalações. Ele também pode verificar se está tudo no prumo, dando mais acuidade às medições.

Segundo Ribeiro, no caso de um projeto da Matec de ampliação de um shopping center, o uso do laser permitiu "fazer as medições com mais precisão, inclusive em áreas de risco ou inacessíveis, reduzir o tempo de levantamento e evitar a necessidade de luz ambiente ou iluminação para a realização do trabalho".

Fazer mais coisas

O BIM é um novo fluxo de trabalho, deixou claro Andrew Lopes, arquiteto espanhol com experiência em projetos na Austrália e na Espanha. "Antes, durante ou depois, ele deve permitir mudanças de informação."

Alguns dos seus cases de sucesso foram apresentados no seminário. "O BIM é uma base de dados viva, que pode mudar quando você quiser. Um modelo físico e estático revela só um instante do projeto. O BIM tem que fazer mais coisas, muitos tipos de modelos, para coisas diferentes", lembrou Lopes.

Ele revelou que também a gestão do prédio via Building Information Management já começa a ser feita, e não é preciso ser um especialista em BIM. "É possível extrair somente as informações pertinentes ao trabalho de facilities", contou. Já o diretor nacional de Soluções Integradas de Construção da Turner Construction, a maior dos EUA, Brian Krause, contou que a construtora criou os "Turner e.docs", uma espécie de manual digital de manutenção que dá acesso a arquivos pdf e, segundo ele, "tem aumentado a produtividade de diferentes itens de facilities".

Sinduscon 2 Seminario BIM - Sao Paulo Brasil Novembro 2011

Seja qual for o uso, atestou Lopes, a integração do modelo é prioritária. "Os desenhos devem ser geridos na maneira em que se relacionam e é fundamental duplicar automaticamente tudo aquilo que for alterado no modelo, reduzindo os esforços e o tempo de retrabalho gasto pelo projetista".

Segundo ele, "independente da plataforma BIM que for eleita, é indispensável ter como parceiro o fornecedor do software". 

Para Lopes, a modelagem deve ser pensada sempre conforme a necessidade de detalhamento de cada projeto. "O que precisa é ter coordenação e clareza dos objetivos a serem alcançados com o modelo e o projeto executivo. Também tem que ter um marco legal claro e uma integração adiantada dos atores, além de um protocolo claro de transmissão de informações", disse. "Às vezes, não é mais importante o tipo de projeto, mas como ele é coordenado", resumiu.

Os projetos em BIM podem ser apresentados de diversas formas, desde um modelo de custos até o acompanhamento do desempenho da coordenação de projetos. Brian Krause, da Turner Construction, revelou que a construtora já usa o modelo no iPad com realidade aumentada, para comparar a obra e o projeto.

Ousadia

O BIM também permite aos arquitetos ousar mais em formas incríveis de suas obras. "Em alguns casos, o BIM dá a estes profissionais a segurança de que é possível fazer aquilo que eles queriam. O trabalho de Zaha Hadid é um exemplo disso. O software protege sua visão diferenciada e permite a ela comunicar melhor suas ideias", afirmou David Gerber, professor da Southern California University.

Segundo ele, a ferramenta oferece fundamentalmente "informações melhores e mais fidedignas". "Modelagem é importante, mas o melhor do BIM é a informação que o modelo carrega."

Entretanto, para Arto Kiviniemi, professor da Universidade de Salford (Inglaterra), o crescimento rápido da adoção do BIM no mundo tem resultado num forte interesse do mercado "às vezes muito mais relacionado com cobiça, ou até por medo", do que com um entendimento claro sobre as reais possibilidades e o potencial da ferramenta. "Fazer algo só por causa dos outros não é uma boa razão", disse.

Bons argumentos são aqueles que demonstram ser possível reduzir de 10% a 30% o volume de horas de uma obra com o projeto em BIM. "Na Eureka Tower, na Austrália, chegou-se a incríveis 75% de redução", contou Kiviniemi, para quem a grande qualidade do BIM é a redução de erros e a eliminação das contradições entre os documentos gerados.

Segundo ele, outra qualidade é permitir que o nível de aprofundamento do modelo varie segundo o uso que se quer do projeto. "Pode-se pretender apenas o escopo mínimo do modelo, aquilo que é verdadeiramente útil. Nem sempre precisamos de um desenho tão sofisticado", ponderou.

O 2° Seminário BIM do SindusCon-SP teve a coordenação de Fernando Augusto Correa da Silva e Ana Cristina Chalita, membros do CTQ, com o apoio do diretor Salvador Benevides e a colaboração écnica de Eduardo Toledo Santos, professor da Poli-USP.

Fonte: Nathalia Barboza. Notícias da Construção 2011. Edição 106 - Novembro de 2011

FacebookTwitterGoogle BookmarksLinkedIn

Contate-nos!

Nome (*)

must contain only 0-9,a-z,A-Z characters
Email (*)

is not a valid e-mail address.
Telefone


Empresa (*)

must contain only 0-9,a-z,A-Z characters
Comentário




Invalid Input



Nosso Portfolio

Embraco – Fabricante de Compressores

Área: 275,000 sf | 25.500 m2 Localização: Apodaca. México Cliente: Garza Ponce Desarrollos

Harvard Dunster House

Área: 170,000 sf | 15.794 m2 Localização:  Cambridge, MA. Estados Unidos.

Manquehue O´Connell

Área: 2,389,588 sf | 222.000 m2 Localização: Santiago. Chile Cliente: Las Americas

Acessórios de tubulação Victaulic

Categoria do produto: Acessórios de tubulação Quantidades do produto: 250 produtos Cliente: Victau...

Centro de Dados Northlake

Área: 707,000 sf | 65682 m2 Localização: Northlake, IL. Estados Unidos Construtora: Turner Constru...

Registe na nossa Newsletter

Registe na nossa Newsletter e receba grátis as últimas notícias sobre BIM.

Nome (*)
Please add a value for .
Sobrenome (*)
must contain only 0-9,a-z,A-Z characters
Email (*)
is not a valid e-mail address.

Quem Somos Notícias BIM Engenho e arte