Encontro sobre projeto, planejamento e gestão de obras realizado pelo CTE

Aconteceu, no último dia 25 de abril, o "Encontro sobre projeto, planejamento e gestão de obras", realizado pelo CTE, com a presença de 254 profissionais (sendo 141 de incorporadoras e construtoras, 34 de fornecedores de materiais e imobiliárias, 52 de empresas de projeto e consultoria, 8 de entidades de classe, órgãos governamentais e universidades, 12 de fundos de investimento e agentes financeiros, 7 de imprensa), representando 12 Estados (CE, DF, ES, GO, MG, PB, PE, PR, RJ, RN, SE e SP) e 26 cidades brasileiras.

Encontro sobre projeto, planejamento e gestão de obras - CTE - Brasil - Palestra Axel Kruger ENGworks BIM Na abertura, Roberto de Souza, Diretor Presidente do CTE, destacou a importância de discutir os desafios e os caminhos que o setor da construção deve seguir para melhorar seu desempenho e minimizar os riscos na área de projetos, planejamento e gestão das obras em um cenário de crescimento acelerado do Mercado. Lembrou que as discussões devem envolver também industrialização, inovação, capacitação de profissionais e sustentabilidade, já que cada um dos temas interfere diretamente na questão de custos, prazos e qualidade das obras, pontos críticos do cenário atual da construção.

Inovar e flexibilizar os modelos de gestão das empresas e capacitar profissionais para a qualidade do projeto

Palestras sobre Construção organizadas pelo CTE - Palestra sobre BIM por Axel Kruger

Ricardo França (Diretor da França & Associados Engenharia), Ana Cristina Chalita (Gerente Corporativo de Projetos da Cyrela), Marcio Curi (Diretor da MCAA Arquitetura) e Roberto de Souza (Diretor Presidente do CTE) discutiram, no primeiro painel, a qualidade do projeto e seus impactos na execução da obra.

Os últimos anos da construção têm se caracterizado pelo forte crescimento e por um mercado imobiliário em expansão, mais agressivo e concorrido, o que implica novas demandas e novos produtos. Atuar em um mercado aquecido, com produção em escala e em diversas regiões do país, tem sido um desafio para as empresas, pois as especificidades regionais são inúmeras no que se refere à legislação, tipo de produto imobiliário, perfil do consumidor, disponibilidade de materiais, equipamentos e mão de obra, o que traz dificuldades para as incorporadoras e construtoras adotarem o mesmo modelo de gestão de empreendimentos e das obras nessas diversas regiões. Na área do projeto não poderia ser diferente, e as empresas incorporadoras e de projeto têm enfrentado dificuldade para acompanhar essa evolução do mercado, precisando inovar e flexibilizar seus modelos de gestão, adequando-os regionalmente, pois estão diante de um mercado hoje extremamente dinâmico, que precisa absorver inclusive culturas diferentes.

Embora, na última década, a área de projetos, tanto das incorporadoras como de projetistas, tenha investido em qualidade e certificação, racionalização dos processos, novas tecnologias construtivas, novas tecnologias de projeto e controle, na melhoria das ferramentas de simulação dos projetos e processos, tem-se presenciado erros básicos por conta de desconhecimento técnico e gerencial, consequência da 'juniorização' e desqualificação dos profissionais do setor. Aumentam assim os riscos nos projetos, desencadeando problemas nos estudos de viabilidade (hoje mais atrelados a uma atividade comercial do que de projeto), de qualidade (nunca se teve necessidade de tantas revisões e retrabalho em projeto para garantir a sua qualidade), atrasos (da forma que se trabalha hoje, em geral há projetos incompletos para execução da obra) e falta de controle na execução dos projetos e obras. A 'juniorização' e desqualificação resultam em projetos inadequados que trazem riscos para a construção e também riscos empresariais, reduzindo a margem de lucro das empresas. Ressaltam-se, em relação à qualidade dos projetos, os riscos de segurança estrutural que vem crescendo no mercado, devido a práticas pouco rigorosas de alguns projetistas, em especial no que se refere à redução dos coeficientes de segurança e não consideração dos efeitos no vento no cálculo estrutural. Estes riscos podem se agravar com erros na execução das armações das estruturas e com a má qualidade do concreto usinado.

Um dos grandes gargalos está na falta de pessoas qualificadas, atualizadas, focadas na técnica, bem treinadas, comprovadamente aptas a exercer sua função. Há um descolamento entre universidades e o mercado de construção, o que obriga as empresas a concluírem a formação de seus profissionais e também as instituições de ensino a admitirem futuros novos professores sem contato real com o mundo da engenharia e da construção. O mercado está carente de profissionais com conhecimento de planejamento empresarial e de projetistas melhores, pois são os bons projetistas que garantem os bons projetos.

Vantagens do BIM no desenvolvimento de projetos e as dificuldades de implantação no Brasil

Vantagens do BIM no desenvolvimento de projetos - CTE - Axel Kruger ENGworks

Luiz Augusto Contier (Sócio-Diretor da Contier Arquitetura), Axel Kruger (Diretor Presidente da ENGStudios), Paulo Sergio de Oliveira (Diretor de Desenvolvimento Tecnológico da JHSF) e Roberto de Souza debateram, no segundo painel, os cases práticos de aplicação do BIM e da sustentabilidade no desenvolvimento de projetos.

O BIM (Building Information Modeling) é um recurso de compartilhamento de informações e representação digital do ambiente físico e funcional do empreendimento (do projeto à construção e operação do edifício), que possibilita ao máximo a modelagem. Já bem desenvolvido e utilizado em vários países, e agora chegando ao Brasil, o BIM não é um produto e sim um processo de captação de informação, função e comportamento dos elementos da edificação, com uma base comum e integrável de informações e dados organizados em três ou mais dimensões, que envolve múltiplos stakeholders nas diferentes fases no ciclo de vida do projeto, pressupõe interoperabilidade (sistemas conversam entre si) e simulação (avaliação do impacto das decisões para todas as interfaces do edifício, inclusive operação e manutenção).

O BIM é uma nova maneira de se conceber um empreendimento e projetar integralmente um objeto do início ao fim – com controle sobre todos os processos, análise de informações, simulação de desempenho, correção e revisão de dados e informações, criação de parâmetros mais precisos para execução e operação do edifício – e revoluciona o futuro da construção, estabelecendo novos paradigmas para o mercado e para os profissionais. A mudança nas relações entre os agentes do setor da construção são significativas, principalmente quanto à concepção do empreendimento e sua arquitetura, aos custos, à viabilidade da construção e maneira de se projetar e trabalhar, já que há uma única plataforma de informações para as várias ramificações de decisões.

E quais são hoje as principais dificuldades para sua implantação no Brasil? Uma delas é a necessidade de formar profissionais dentro das próprias empresas para sua utilização completa; outra é a mudança radical e necessária de cultura e de processos na empresa para a adoção do BIM; outra dificuldade está relacionada aos custos de implantação, embora já esteja provado que a compatibilização BIM é tão vantajosa que os ganhos ao longo do tempo já justificariam os investimentos.

Alguns problemas técnicos e culturais na construção brasileira também retardam a implantação do BIM, como, por exemplo, o fato de o projeto executivo ser finalizado após o início da obra e o detalhamento de projetos ocorrer durante a execução das obras. Um mercado tão amplo e aquecido como o da construção brasileira, no entanto, precisa de mais planejamento, de maior eficiência na execução, de custos controlados e prazo de entrega dentro do previsto, no que o BIM pode contribuir.

Prazos, custos, qualidade, produtividade e sustentabilidade no foco do planejamento e controle de obras

Prazos, custos, qualidade, produtividade e sustentabilidade no foco do planejamento e controle de obras - CTE - ENGworks BIM

José Francisco Pontes Assumpção (Professor da UFSCar e consultor de empresas na área de Gerenciamento de Empreendimentos de Construção), Daniel Ohnuma (Gerente de Construção Sustentável do CTE), Flavio Augusto Picchi (Diretor Executivo do Lean Institute do Brasil e Professor da UNICAMP) e Roberto de Souza participaram do terceiro painel, analisando o planejamento e controle de obras focados nos prazos, custos, qualidade e sustentabilidade.

A escala e os números de empreendimentos e obras cresceram radicalmente nos últimos anos, e este novo cenário trouxe desafios significativos em relação aos prazos, custos e controle da qualidade não só das obras, como de todo o ciclo de produção do empreendimento, principalmente quanto ao planejamento e controle dos empreendimentos, projetos e obras, que hoje deve retomar suas diretrizes básicas para estabelecer ações, acompanhadas da monitoração dos resultados. Faltam hoje diretrizes realistas e ações ágeis e corretivas, previsões realistas e gerenciamento de riscos, aspectos que devem ser analisados, decididos e executados de forma integrada com todos os envolvidos no empreendimento e no negócio.

O cenário recente é de atraso das obras, estouro nos custos, perda da qualidade e queda das margens dos empreendimentos e da lucratividade das próprias empresas. Não é à toa, portanto, que a orçamentação, o planejamento e a gestão de obras tornam-se fundamentais neste momento, e a metodologia e as práticas baseadas no Lean Thinking podem ser usadas para complementar o planejamento tradicional, começando com a absorção da mentalidade enxuta na construção, com alta produtividade, sem desperdícios e com foco na gestão e padrões controláveis.

A sustentabilidade, neste sentido, caminha junto também com o Lean Thinking, pois lida também com conceitos e práticas que visam a redução de desperdícios, o aumento da produtividade, a diminuição de impactos da construção, que irão melhorar tanto os processos da empresa como garantir resultados para a sociedade.

Embora a maioria dos empreendimentos que busca hoje a certificação ambiental esteja mais preocupada com a obtenção do selo, a sustentabilidade na construção passa necessariamente pela execução das obras, que deve ser planejada de forma que leve em consideração o menor impacto possível no terreno, no seu entorno ou vizinhança. Partindo de que é possível executar e operar um canteiro de obras mais sustentável, a um baixo custo, é necessário que as empresas da construção reconheçam os impactos e suas consequências, que planejem e pratiquem a gestão, e invistam em recursos tecnológicos e humanos para poder ressaltar a competência de sua engenharia e implementar boas práticas de obra.

Hoje é possível promover uma produção mais limpa nos canteiros e obras, englobando as três dimensões da sustentabilidade: a ambiental (implementando medidas que envolvam todos os impactos ambientais dos canteiros de obras), a social (implementando práticas de responsabilidade social e voltadas aos trabalhadores próprios e aos subcontratados) e a econômica (assegurando a eficiência econômica da obra e combatendo a ilegalidade na cadeia produtiva).

Desafios da gestão da produção de obras e assistência técnica pós-entrega

Gestão da produção de obras e assistência técnica pós-entrega - CTE - ENGworks BIM Brasil

Marcelo Ernesto Zarzur (Diretor Técnico da EzTec), Yorki Estefan (Diretor da CONX), Fabio Villas Boas (Diretor da Tecnisa) e Roberto de Souza discutiram a gestão da produção de obras e a assistência técnica pós-entrega no quarto painel.

É fundamental buscar a satisfação do cliente, porque é o cliente o maior patrimônio de uma construtora e que, em última instância, avalia seu atendimento e a qualidade que encontra em seu produto final. Por isso, para garantir a qualidade e o diferencial do produto, vários recursos podem ser utilizados do ponto de vista técnico e de planejamento, como a simplificação de projetos e a padronização de produtos e processos, que, se devidamente adotadas, ajudam na viabilização real dos empreendimentos, inclusive em diferentes regiões do país.

Os custos de assistência técnica pós-entrega da obra estão aumentando ao longo dos últimos cinco anos, resultado da queda da qualidade que se observa com o crescimento do mercado. A gestão profissional da área de assistência técnica das construtoras permite não só uma proximidade com os clientes, resguardando a imagem da empresa, como também a análise de dados dos principais problemas identificados e a retroalimentação para a área de produto, projetos, suprimentos e execução de obras, permitindo a melhoria contínua dos processos empresariais e do sistema de gestão da qualidade.

De modo geral, é importante hoje haver maior aproximação da área de produto com a área técnica da empresa e maior interação entre o desenvolvimento de produto com a Engenharia e os canteiros de obras. Hoje, mais do que nunca, a prospecção de produtos e os estudos de viabilidade devem estar fortemente alinhados aos custos reais da obra, aos sistemas construtivos e à possível industrialização, visando racionalizar os projetos, aumentar a produtividade e reduzir os custos de construção.

A integração entre as etapas de prospecção do produto, de projeto, suprimentos, planejamento e obra permitem também uma abordagem sistêmica, a criação de indicadores de desempenho, produtividade e progresso de obra e a identificação, do ponto de vista técnico, de falhas e também de potenciais ganhos na fase de execução, assim como a redução dos custos de assistência técnica pós-entrega. Desta forma, centralizando e controlando os processos de planejamento e gestão operacional, por meio de ferramentas de TI, é possível operar com metas corporativas e departamentais.

As empresas devem conhecer bem seus negócios e empreendimentos, e desenvolver com o maior detalhamento possível seus projetos e produtos, controlar os riscos e desenvolver programas de gerenciamento, pois a visão do todo faz a diferença e gera conhecimento dentro da organização, o que permite aperfeiçoamento técnico e especialização, inovação, industrialização e viabilização de novas formas de executar. Uma visão sistêmica e inteligente dos negócios e empreendimentos, aliada a um planejamento detalhado e de longo prazo de todas as atividades e todos os processos, favorece a tomada de decisões. Afinal, o planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas a implicações futuras de decisões presentes. E deve ser realizado e monitorado diariamente.

Encontro sobre projeto, planejamento e gestão de obras - CTE Brasil - Palestra BIM ENGworksDurante o coffee break, os participantes do evento puderam trocar ideias e impressões, e ainda ampliar seus contatos profissionais.

Responsabilidade ambiental CTE

O CTE providenciou a Neutralização da Emissão de Gases de Efeito Estufa desse evento. Os cálculos foram feitos pelo INSTITUTO TOTUM e o plantio das árvores será efetuado pela SOS Mata Atlântica, que provê o plantio e o desenvolvimento seguro da árvore, efetivando a real compensação das emissões, por acompanhamento e registros periódicos até os cinco anos de desenvolvimento.

Total de emissões deste evento (tCO2e) = 9,68

Total de gás carbônico equivalente retido em uma árvore hipotética (kgCO2e) = 249,60

Número de árvores necessário à neutralização = 39

Palestras sobre planejamento e construção - CTE Brasil Participaram do evento 254 profissionais de várias áreas, representando 12 Estados e 26 cidades brasileiras.

Fonte: CTE. Brasil, 25.04.2012.

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