Como anda o BIM nas incorporadoras

Índice do Artigo
Como anda o BIM nas incorporadoras
Tecnisa: BIM no Jardim das Perdizes
Sinco Engenharia: hospedagem em nuvem
Gafisa: modelo aberto
JHSF: controle de custos e prazos
Odebrecht: modelagem avança junto com obra
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Desde que começaram a testar o uso da plataforma BIM no desenvolvimento de seus projetos, as incorporadoras brasileiras se depararam com desafios e oportunidades. Conheça algumas experiências a seguir.

Há cerca de quatro anos, as grandes construtoras e incorporadoras brasileiras iniciaram, quase que simultaneamente, uma série de projetos-piloto que visavam a avaliar a pertinência da utilização da plataforma Building Information Modeling (BIM), de modelagem 3D. A motivação estava na possibilidade de elevar a produtividade, reduzir perdas, abreviar prazos, melhorar a assertividade dos orçamentos e a qualidade do produto imobiliário. Aliado a isso, outros impulsos ampliaram o interesse das empresas em testar esse sistema de uso mais consolidado nos Estados Unidos e na Europa. Projetos que vêm do exterior para implantação no Brasil, muitas vezes, já requisitam a modelagem 3D. por conta da facilidade gerada na fase de manutenção, alguns empreendimentos governamentais e privados já exigem a entrega em BIM, como é o caso da Petrobras e de outros contratantes que ficam com a gestão da operação e das facilities sob seu comando. "por fim, já há um número razoável de projetistas das principais disciplinas, sobretudo arquitetura e estrutura, que oferecem seus projetos modelados", destaca o diretor da Sinco Engenharia, Fernando Augusto Correa da Silva.

Desde então, essas empresas vêm enfrentando uma série de desafios, ao mesmo tempo em que conquistam alguns avanços. "Apesar de crescente, a demanda pelo BIM ainda é pequena, o que acaba dificultando sua implementação, principalmente diante da necessidade de enfrentar questões emergenciais do dia a dia, como o atendimento a prazos, custos e qualidade das obras", revela Fávio Villas Boas, diretor técnico da Tecnisa.

"Como o BIM é um processo que gera uma implantação paralela aos procedimentos diários das empresas, a evolução que temos visto é resultante da própria maturação de sua utilização", avalia Silva, que trabalha com o BIM em sua empresa desde 2010. "Os clash detections (apuração de falhas de projetos), a retirada de quantidades e a pré-execução são alguns dos instrumentos que passaram a ficar disponíveis e que antes não existiam. O melhor entendimento e a prática operacional dos softwares escolhidos também ajudaram nessa evolução", complementa Silva.

A negociação com projetistas para convencê-los de que vale a pena adotar a nova ferramenta, a falta de padronização de componentes e a necessidade de maior interação entre os participantes do projeto são algumas dificuldades comuns enfrentadas pelas empresas que vêm testando o BIM nos últimos anos. "A principal dificuldade não está na tecnologia, e sim no processo e na cultura de mercado", acredita Paulo Sérgio Oliveira, diretor de engenharia da JHSF. Segundo ele, para se ter sucesso com o uso do BIM nas atividades de engenharia, projeto, construção e incorporação, é preciso gerar resultados ao mesmo tempo em que os novos processos são construídos. "É necessário ter uma cultura para a inovação: aceitar riscos e ter tolerância com a experimentação, adequar-se constantemente às demandas do mercado e às novas tecnologias, lidar diariamente com o industrializado versus o convencional, criar alianças estratégicas com projetistas e fornecedores e abordar, de forma sistêmica e integrada, as disciplinas de um empreendimento", detalha Oliveira.

"As empresas precisam entender como o BIM vai agregar valor a elas. É importante ter objetivos claros e estabelecer as prioridades a serem atingidas. Também é fundamental que os investidores, incorporadores e construtores enxerguem valor e sejam os propulsores do mercado para o uso mais amplo do BIM", acrescenta João Paulo Bueno Sanches, gerente técnico da Gafisa.

Independentemente do estágio de utilização do BIM, nenhuma das fontes entrevistadas por Construção Mercado duvida que a tendência seja de ampliação do uso do BIM nos próximos anos. "O armazenamento em nuvem, a mobilidade dos hardwares, o desenvolvimento e a integração de novos softwares, a instrumentação das obras na execução e no pós-ocupação são tendências que impulsionarão a disseminação do BIM", aposta Silva.

Outra tendência que pode se consolidar em um futuro mais imediato é a adoção de uma solução híbrida, que utilize a modelagem em BIM nas partes mais críticas do projeto, mantendo o 2D nas partes mais simples. "Isso acontece nos Estados Unidos, onde o BIM muitas vezes não é usado para o edifício todo, mas apenas onde ele agrega calor e tem vantagem competitiva", comenta Fábio Villas Bõas, da Tecnisa.

Fonte: Como anda o BIM nas incorporadoras. Por Juliana Nakamura. Revista Construção Mercado. Junho 2013.


Tecnisa: BIM no Jardim das Perdizes

O movimento para introduzir o BIM na Tecnisa teve início em 2008. "Depois de conhecer a experiência de construtoras em outros países, pesquisamos softwares, compramos equipamentos e treinamos algumas pessoas para uso da ferramenta", conta o diretor técnico Fábio Villas Bõas. O primeiro projeto modelado foi o Alto da Mata, condomínio com quatro torres residenciais em Barueri (SP). Na ocasião, foi feita apenas a modelagem de arquitetura e de estrutura. "Não pudemos modelar a parte de instalações porque os projetistas não conseguiram cumprir os prazos de entrega. Se optássemos pelo Revit puro, ficaríamos com obra atrasada por falta de projeto", explica Villas Bõas.

Muito embora acredite que o BIM seja uma tendência que deve se consolidar na construção civil brasileira nos próximos anos, a Tecnisa não deu continuidade à implantação do BIM após essa experiência. "Tínhamos a possibilidade de sermos pioneiros, mas fomos derrotados pela necessidade de desenvolver as atividades de forma ágil, de cumprir os prazos", lamenta Villas Bõas.

Mais recentemente, com o amadurecimento do mercado, surgiu uma nova possibilidade de aproveitamento do BIM pela Tecnisa, mais precisamente no Jardim das Perdizes, maior projeto imobiliário da capital paulista, com 250mil m2 de área construída. Os quatro primeiros edifícios residenciais já lançados estão sendo modelados em Revit. "O escritório de arquitetura contratado trabalha em BIM, o que facilitou muito. No momento, a gente negocia com o escritório contratado para a elaboração dos projetos de instalações em BIM", revela Villas Bõas.

Segundo ele, um dos problemas que dificultam o maior aproveitamento da modelagem 3D é o valor cobrado pelos projetistas de instalações para entregar os projetos modelados, muitas vezes impeditivo. "Mas algumas ações nos trazem algum otimismo e a expectativa é a de que esses custos se tornem gradativamente mais competitivos", finaliza o diretor técnico da Tecnisa.


Sinco Engenharia: hospedagem em nuvem

Na Sinco Engenharia, o processo de implantação do BIM teve início em 2010. "Naquela época, recebíamos quase todos os projetos em 2D, com exceção do estrutural. O trabalho da modelagem acabava recaindo sobre as equipes internas", lembra o diretor Fernando Augusto Correa da Silva. Ele conta que, no inicio, poucos projetistas estavam dispostos a investir no processo, em especial nas disciplinas de instalações. "Alguns arquitetos chegaram a oferecer duplicidade no preço do projeto acrescido de licenças dos softwares utilizados para entrega de seus modelos", recorda.

Mas desde então se avançou muito. Três edifícios comerciais, um shopping center e dois residenciais da Sinco já empregaram o BIM, em diferentes graus. Hoje, a empresa se prepara para tomar o modelo operacional dentro do canteiro de obras com o apoio da hospedagem em nuvem, "A introdução do BIM na obra, com o planejamento e o controle alimentando o modelo e ajustando-o às metas assumidas, é um de nossos objetivos, assim como a criação do modelo de manutenção (6D)", acrescenta Silva.

Para isso, a Sinco vem apostando no processo aberto que prevê interoperabilidade e dá a opção aos players de utilizar o software de sua preferência. A arquitetura é modelada por meio do ArchiCad, a estrutura vem em IFC da TQS e passa por alguns ajustes, as instalações são modeladas por terceiros com o Revit MEP, a compatibilização e a retirada de quantidades é feita com o Solibri e, na pré-construção (4D), é utilizado o Synchro.

"Nossos próprios resultados passaram a ser motivadores para que as parcerias se efetivassem", conta Silva. "Acabamos de fechar um novo projeto com área total próxima a 50mil m2, no qual todos os projetistas entregarão seus modelos e, por meio do Solibri, gerenciaremos as compatibilizações, a retirada de quantidades e a validação desses modelos. Será o início de uma nova fase, e acreditamos na evolução de todo o time em qualidade e produtividade", comenta o diretor da Sinco, segundo o qual a presença do processo BIM na empresa não tem data de término.


Gafisa: modelo aberto

Em 2010, a Gafisa iniciou um projeto-piloto com cinco residenciais utilizando o BIM. Na ocasião, optou-se pelo modelo aberto, no qual as diversas disciplinas se integram em um modelo federado, com a leitura por meio do protocolo Industry Foundation Classes (IFC). Dessa forma, diferentes softwares puderam ser utilizados. Para a arquitetura, foram testados Graphisoft Archicad, Vectorworks, Revit Architecture e Bentley Architecture. Para a análise de modelo, foram empregados Solibri (para análise de interferências e extração de quantidades) e Synchro (para planejamento e cronograma de construção).

"Quando iniciamos o piloto, definimos como objetivos a compatibilização dos projetos, a assertividade dos quantitativos e o planejamento integrado. Os dois primeiros foram atingidos e o último está em processo de consolidação", conta João Paulo Bruno Sanches, gerente técnico da Gafisa. Atualmente, a Gafisa tem seis projetos em que o BIM foi total ou parcialmente adotado, representando 20% dos projetos em fase executiva.

Sanches relata que, ao longo desse processo, dificuldades diversas tiveram que ser superadas. A primeira delas foi a criação de diretrizes de projeto, o que foi resolvido com a criação de um guia para orientar todos os projetistas. A interoperabilidade entre softwares foi outro problema. Foram registrados alguns problemas de exportação e perda de informações dos modelos com a utilização do IFC. "Superamos isso com o envolvimento das empresas de software, dos projetistas e dos nossos consultores", garante Sanches.


JHSF: controle de custos e prazos

Quando decidiu investir no BIM, a JHSF estava em busca de uma solução que permitisse antecipar as informações e reduzir riscos nas áreas de projeto e construção. O plano era que, usando a plataforma, estudos de viabilidade e desenvolvimentos de novos produtos pudessem ser realizados de forma mais assertiva.

Assim, foi implantado um Núcleo de Desenvolvimento e Processos, formado por uma equipe técnica multidisciplinar dedicada a adequar os conteúdos desenvolvidos em BIM em um processo integrado às Unidades de Negócios da empresa.

Paulo Sérgio de Oliveira, diretor de engenharia da JHSF, conta que a escolha do pacote Autodesk Building Design foi feita principalmente pela disseminação das ferramentas entre projetistas e fornecedores e, ainda, pela facilidade de integração da plataforma CAD/BIM.

Hoje, a JHSF possui 14 empreendimentos desenvolvidos ou em desenvolvimento em BIM. O 2D, em todos os casos, mantém-se como documentação paralela para garantir a comunicação com toda a cadeia de valor, ao longo do ciclo de vida do empreendimento, que não está integralmente preparada para o uso do BIM. "Constatamos, em visitas técnicas a outros países onde esses sistemas estão mais desenvolvidos , que a entrega bidimensional continua presente e complementa favoravelmente o processo BIM", comenta oliveira, segundo o qual a JHSF passará a exigir, paulatinamente, entregas utilizando o BIM.

Os resultados, apesar de serem de difícil mensuração, têm sido muito positivos, segundo o diretor de engenharia, que destaca: a melhor qualidade; o melhor custo, pela integração dos quantitativos do BIM com o processo de orçamentos; e o melhor controle de custos e prazos de obra, por meio de sequenciamentos de montagem virtuais e controle de produção desenvolvidos em BIM.

"Já capacitamos a maior parte dos colaboradores da JHSF Engenharia Avançada e desenvolvemos um núcleo prestador de serviços em modelagem. Nossa meta é consolidar esses processos com as diferentes áreas além da engenharia, buscando um processo cada vez mais enxuto e integrado", diz Oliveira.

Segundo ele, além da cultura de mercado para a mudança do status quo, a falta de um padrão claro de desenvolvimento dos modelos e de seus componentes para as diferentes tipologias de projeto tem sido um desafio constante. Como solução, a JHSF tem desenvolvido seu próprio padrão BIM para a nomenclatura dos arquivos e seus elementos, assim como manuais dos novos processos de trabalho.


Odebrecht: modelagem avança junto com obra

Na Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR), cerca de 20 empreendimentos estão utilizando, ainda que de forma experimental, o BIM. Um deles é o LED Barra Funda, complexo de uso misto em São Paulo, que congrega hotel, torre de escritórios, torre residencial e um shopping center.

Na torre residencial, o modelo de arquitetura, estrutura, vedação e fechamento com instalações foi todo elaborado no Revit Autodesk (sem dispensar o projeto 2D). No momento, esses modelos estão sendo checados entre si (clash detection). "Também já produzimos algumas rodadas de verificação para casos específicos, que podem nos ajudar nas tomadas de decisão, como troca de localização para o gerador, posição das escadas, encaminhamentos de dutos de pressurização, etc.", explica Silvia Traldi, arquiteta da OR responsável pela aplicação do BIM nesse empreendimento.

Segundo Traldi, os próximos passos são a integração dos modelos com o planejamento (4D) e com a execução da obra. "Estamos buscando, nos conceitos de Lean Construction e Kanban, meios para converter o modelo como forma de apoio às etapas construtivas", revela a arquiteta.

Desde o início de 2011, quando o projeto-piloto teve inicio, vários desafios tiveram que ser superados. Um deles foi a troca de versões do próprio software, que gerou problemas com a duplicação ou repetição de soluções para outros pavimentos do edifício modelado. Vencidos os obstáculos, alguns resultados já puderam ser observados. "A complexidade do projeto do LED Barra Funda nos impede de ter uma visão do todo, mas o modelo consegue nos mostrar várias situações que, sem a modelagem, só iríamos detectar na execução", comemora Sílvia Traldi.

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