BIM avança no Brasil

A descoberta do DNA representou uma revolução nas ciências biológicas. Os pesquisadores sabiam que nele estava a chave para a compreensão e cura de um sem número de doenças. Mas havia um problema quando foi criado o Projeto Genoma Humano nos anos 80, que já não era saber como funcionava o mecanismo do DNA, mas sim mapear e sequenciar um número gigantesco de dados. O trabalho exigiu anos de trabalho de cientistas de todo o mundo. A partir daqueles conhecimentos todo um novo campo de possibilidades na biologia foi aberto. Na área da construção, uma nova etapa de desenvolvimento, como a que ocorreu com as ciências da vida, pode estar em curso: uma revolução da informação, proporcionada pelo BIM (Building Information Modeling). A comparação só vai parecer exagerada para quem não trabalha com projetos e obras (os engenheiros e arquitetos sabem muito bem como um prédio pode pa­­­­­­­­­recer bem "vivo" muitas ve­­­zes). Se o "ma­­­peamento" de to­­­dos os dados de uma edificação po­­­­­­­­­­­de ser um trabalho desafiador no início, depois de pronto, há enormes vantagens - seja na fase da obra ou ao longo de toda sua história. Enquanto ele existir, haverá informações precisas de cada detalhe que podem ajudar em decisões importantes para os administradores.

Building Information Modeling no Brasil"O BIM é muito mais do que uma tecnologia em 3D, e as pessoas ainda confundem isso", afirma o coordenador de projetos do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade) do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) , Fernando Augusto Correa da Silva, que também é diretor técnico da Sinco Engenharia. Para ele, a palavra-chave para se entender o que significa o BIM é a "interoperabilidade". Ou seja, a capacidade que o modelo tem de alinhar uma série de dados produzidos por profissionais de diferentes áreas, e que usam ferramentas de informática diversas. Se a possibilidade de modelagens em três dimensões continua sendo a característica mais famosa do sistema BIM, seus usos vão muito além de um efeito simplesmente estético. "São informações que vão ficar para sempre, criando um fluxo de responsabilidades, que pode ajudar até em setores, como o de seguros, ou para pendências jurídicas", completa Correa da Silva. Quando se produz num sistema convencional, os projetos de arquitetura são posteriormente complementados por planos de hidráulica, elétrica, paisagismo e uma série de outros - inclusive os administrativos, que controlam compras, orçamento, cronogramas, pessoal, e assim por diante. Já com a modelagem em BIM, a ideia é que esses vários programas feitos com objetivos diferentes "conversem" entre si e indiquem soluções integradas automaticamente. Quando um encanamento previsto pelo software usado pelo pessoal da hidráulica está projetado passando "por dentro" de uma viga do desenho de engenharia estrutural, a modelagem aponta automaticamente a incoerência. Ainda mais do que isso: cada desenho pode conter dados que dão indicações sobre materiais, orçamento e cronograma.

"Aquilo que eram operações sequenciais (primeiro projeto, depois levanto os quantitativos, depois orço, depois planejo - com tempos muito longos decorridos entre essas fases) passa a ser praticamente simultâneo, permitindo que as decisões sejam tomadas em função da análise do impacto sobre quantidades, custos, prazos e estratégias de produção, logística e até mesmo manutenção", explica Maria Angélica Covelo Silva, sócia do NGI (Núcleo de Gestão e Inovação).

Caminho sem volta

Fabio Villas Boas, diretor técnico da Tecnisa, não tem dúvidas sobre o futuro do BIM no Brasil, e dá um recado para aqueles que ainda têm resistência em aprender a operar com um novo sistema: "é irreversível", afirma. Sob sua coordenação, a Tecnisa está desenvolvendo seu primeiro projeto com o sistema, um empreendimento residencial com quatro torres de médio padrão na cidade de Barueri, município da Região Metropolitana de São Paulo. A escolha desse empreendimento não foi por acaso, já que outras quatro torres estão subindo num terreno vizinho, projetadas de forma tradicional pela mesma empresa. Ou seja, será possível, ao final das obras, fazer uma comparação precisa entre o uso de sistemas diferentes para projetos semelhantes. "É possível fazer uma série de modificações na obra e o BIM vai respondendo a cada etapa - como, por exemplo, inserir uma janela onde antes estava projetada uma parede fechada; a partir daí o sistema já indica que serão necessários menos tantos tijolos, menos argamassa ou tinta, e ao mesmo tempo mais uma janela. Tudo isso vai para o cronograma, o orçamento", explica Villas Boas. Fernando Correa destaca que a difusão do BIM no Brasil pode significar mais um passo em direção a um novo patamar de qualidade no planejamento e na administração da obra, de maneira que o sistema não pode ser resumido apenas a uma forma nova de fazer o desenho. Para ele, a grande vantagem está na construção de bancos de dados complexos e na facilidade do seu acesso. "Nos últimos 15 anos pelo menos, as empresas todas vêm se adaptando para o ISO e para o PBQP-H [Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat], e confirmando seus próprios dados de custos, de planejamento", diz.

Com isso, segundo o coordenador do CTQ do SindusCon-SP, foi feito um trabalho de base, fundamental para que o BIM possa operar, já que sem os dados inseridos de maneira precisa, não é possível que o sistema tenha um desempenho adequado. "Foi um longo trabalho para que as construtoras configurassem seus bancos de dados e montassem as planilhas de execução que agora podem alimentar o sistema mais integrado", completa. O início do projeto é mais trabalhoso, reconhecem os especialistas, já que não dá para deixar detalhes que serão preenchidos depois, com o andamento das obras. "Não é possível com o projeto em 3D do BIM ir fazendo adaptações pelo caminho: o prédio tem que nascer certo", diz Fabio Villas Boas. No entanto, uma vez superada esta primeira etapa, tudo começa a funcionar com mais sincronia.

Desafios para difusão

Em relação a outros países, principalmente aos Estados Unidos, os projetos em BIM no Brasil ainda ocorrem de maneira incipiente, mas podem ter um impulso adicional com as grandes obras previstas para os projetos esportivos e de infraestrutura dos próximos anos. "Temos um atraso de cerca de 15 anos em relação aos países desenvolvidos quanto a tomar conhecimento, saber o que é, integrar a cadeia produtiva, capacitar profissionais e trabalhar pela implantação", reconhece Maria Angélica Covelo Silva. Um dos primeiros desafios é capacitar os projetistas para o novo trabalho, e em alguns casos vencer resistências culturais, principalmente daqueles que estão há mais tempo na profissão e que foram obrigados em algum momento da carreira a passar da prancheta para o computador. "A comparação entre o AutoCAD e a modelagem BIM não é entre dirigir um carro menor e um carro maior, mas entre pilotar um avião com manche e outro com joystick", diz Fabio Villas Boas. Maria Angélica, por outro lado, acredita que a falta de conhecimento é o principal entrave, mais do que uma resistência consciente: "A maioria dos agentes de mercado ainda não sabe o que é isso, não tem visão para enxergar a real abrangência do que esse processo traz para as necessidades do setor", diz.

Além da capacitação e da organização, é ainda preciso investir em softwares que gerenciam as diferentes etapas da obra e em equipamentos que devem ser mais potentes do que os usados atualmente nos projetos feitos de forma convencional, o que normalmente implica custos que os escritórios menores não estão dispostos a pagar. Além disso, outro problema é apontado pelas empresas: por aqui ainda não existem bibliotecas virtuais para a aquisição de itens prontos que são utilizados nas modelagens. Nos Estados Unidos, onde o sistema já está mais difundido, é possível adquirir todas as especificações de peças sanitárias, ou de componentes elétricos, por exemplo, para aplicações em BIM, enquanto por aqui, é preciso programá-las. Simplesmente copiar do exterior não é uma solução, já que materiais e métodos podem diferir muito, mas montar uma rede de dados brasileira - o que por ora as poucas empresas pioneiras na utilização do sistema estão fazendo de forma individual. Nesse caso, com cada empresa fazendo sua própria programação, não seria difícil prever uma provável dificuldade de padronização para o futuro.

Fonte: Texto extraído do artigo: BIM avança no Brasil. Por Vinicius Prates. Construção Mercado. Outubro, 2010.

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